Não ao machismo: conheça o case da Cerveja Feminista

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Basta ligar a televisão no intervalo do futebol para entender como a mulher costuma ser representada nos comerciais de cerveja. Com a intenção de combater o machismo e o apelo sexual das propagandas, um grupo de publicitárias criou a Cerveja Feminista. Em pouco tempo, o projeto ganhou destaque na imprensa nacional e internacional.

Para conhecer os detalhes que motivaram a criação da cerveja e entender um pouco sobre a história do produto, conversamos com a publicitária Maria Guimarães, uma das três mentoras do projeto, em parceria com as amigas Thais Fabris e Larissa Vaz, também publicitárias.

Objetivo da Cerveja Feminista é combater o machismo na publicidade
Ideia de criar a Cerveja Feminista surgiu a partir de polêmica relacionada ao comercial de uma cervejaria. Foto: divulgação

Missão é combater o machismo na publicidade

Maria explica que a falta de representatividade feminina no setor de criação das agências de publicidade foi um fator que as uniu. “Um incômodo igual para nós três era o fato de termos tão poucas mulheres na criação das agências. Começamos a conversar muito sobre isso, e a vontade de fazer algo para provocar mudança começou a aumentar”, lembra Maria.

Em um levantamento realizado pelas publicitárias, elas descobriram que as mulheres correspondem a apenas 10% dos profissionais de criação nas agências brasileiras. Para elas, esse dado ajuda a explicar o machismo das campanhas de publicidade, que também é diagnosticado em números. De acordo com a pesquisa “Representações das mulheres nas propagandas na TV”, publicada em 2013 pelo Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Data Popular, 84% dos entrevistados reconhecem que o corpo da mulher é usado para venda de produtos.

Além disso, 58% dos entrevistados entendem que as propagandas na TV mostram a mulher como objeto sexual, e 65% das mulheres não se sentem representadas pela forma como são retratadas nos comerciais. Esses números motivaram a criação do coletivo 65|10, pensado para promover o debate sobre o machismo, do qual as publicitárias fazem parte.

Cerveja Feminista pretende estimular o debate

A reação de duas mulheres a uma campanha considerada machista, no ínicio de 2015, foi o estopim para a criação da cerveja. “Em fevereiro, quando houve uma polêmica com uma peça de uma cervejaria para o carnaval, nós tivemos o estalo: por que não criar uma cerveja feminista para puxar pessoas para discutir esse assunto e conhecer o feminismo?”, conta Maria.

A escolha da cerveja se justifica porque a publicidade associada a elas costuma tratar a mulher como objeto sexual, e também porque a bebida tem o poder de reunir as pessoas. “Criamos um puxador de papo, afinal cerveja tem essa qualidade de colocar pessoas em volta de uma mesa para conversar”, explica a publicitária.

Foram produzidas 1000 garrafas de 600ml, e todas foram vendidas em menos de três meses. O resultado pode ser observado na imprensa. “A Cerveja Feminista chamou muita atenção, gerou muito espaços de debate para o assunto na mídia: saímos em todos os maiores jornais do Brasil (Folha, O Globo, UOL, Terra, etc) e até nos maiores do mundo (New York Times, Telegraph, BBC, The Independent, entre outros)”, orgulha-se Maria.

Para o futuro, Maria explica que o coletivo 65|10 se transformou no negócio das publicitárias: uma empresa de ativismo criativo que pretende melhorar a representação da mulher na publicidade. “Esperamos continuar conversando sobre o tema, debatendo com pessoas, marcas e agências que podem mudar nosso mercado para melhor”, finaliza.

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