Classe C ainda oferece boas oportunidades de negócios

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O rápido crescimento apresentado pela classe C estimulou em muito os negócios voltados para essa faixa populacional na última década. No entanto, grande parte dos brasileiros que se enquadram nessa classe social enfrentam um forte endividamento. Apesar disso, ainda existem boas oportunidades de voltadas para esse grupo.

Quem é a Classe C brasileira

De acordo com o chamado Critério Brasil, adotado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), 48% dos brasileiros se enquadram na classe C, o que representa quase a metade da população. Essa é, com folga, a maior classe social do País.

Pelo Critério Brasil a ser adotado a partir desse ano, a classe C é dividida em C1 – famílias com renda corrente declarada por volta de R$ 2.250 – e C2, famílias com renda corrente por volta de R$ 1.350.

Contudo, o critério não leva em conta apenas a renda das famílias, mas sim 35 variáveis, incluindo fatores como posse de bens, tipo de moradia, nível educacional e acesso a serviços públicos.

classe c
Setor alimentício ainda é repleto de boas oportunidades para explorar o público da classe C. Foto: iStock, Getty Images

O professor Alfredo Meneghetti Neto, da faculdade de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), destaca que a classe C passou por um forte crescimento nas duas últimas décadas. “A gente tem que entender que, há 20 anos, havia 40 milhões de brasileiros na classe C, e hoje são quase 100 milhões. Mais do que dobrou de tamanho”, diz o professor, que justifica o crescimento dessa classe social pelos investimentos, benefícios e ajudas do governo federal para retirar as pessoas da pobreza.

Meneghetti afirma que uma característica da classe C é que ela é, em grande parte, formada por jovens que, apesar dos problemas financeiros, vivem em bairros de boa renda nas capitais.

Oportunidades voltadas para a classe C

Apesar de todo o crescimento dos últimos anos, Meneghetti identifica que a classe C está fragilizada devido à crise econômica recente. Segundo ele, as pessoas desse grupo não conhecem muito bem o funcionamento do banco, estavam acostumados com o crédito fácil e agora sofrem com o endividamento.

“A classe C é muito dependente de bancos e está endividada. São pessoas que têm muitos encargos de cartão de crédito – muitas vezes têm mais de dois ou três cartões”, diz o professor. “Especialmente quando têm renda mínima, essas pessoas entram no negativo, pagam a parcela mínima e entram no crédito rotativo. E aí pagam juros de 10% ao mês”, completa.

Mas, como diz o ditado, em cada problema há uma oportunidade. Esta situação oferece uma boa oportunidade de negócio para quem deseja abrir consultorias e assessorias financeiras para ajudar essas pessoas a lidar com a questão.

Já quem prefere investir no comércio e na indústria, Meneghetti afirma que a classe C ainda oferece boas oportunidades para quem deseja apostar em segmentos ligados à alimentação. “Cervejas artesanais é um ramo que está crescimento. Eu também destacaria o setor alimentício. No setor de comércio, destacaria minimercados”, diz.

Ele ainda destaca que um terceiro ramo fértil seria investir em serviços de assessoria pessoal, como serviços de cuidadores e de atendimento doméstico.

Comentários

  1. ricardo.britto dice:

    Não acho que a atual situação vai mudar este cenário... Classe C continua representando bem a classe consumidora.