Setor de alimentação é aposta conveniente para indústria nacional

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A primeira década do terceiro milênio foi marcada no Brasil pela invasão de produtos industrializados produzidos na Ásia. Conforme levantamento realizado pela Comissão de Defesa da Indústria Brasileira (Cdib) várias indústrias brasileiras fecharam as portas após o avanço das importações de produtos chineses.

No segmento de escovas, das 40 empresas que existiam em 2000, só duas conseguiram manter as atividades. Outro exemplo: das três empresas brasileiras produtoras de ímã de ferrite, usado para a fabricação de alto-falantes, apenas uma continuou operando.

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Interdependência entre diferentes mercados causa desindustrialização em países em desenvolvimento. Foto: iStock, Getty Images

Mas é possível superar essa concorrência ou não há nada a fazer a não ser aceitar a situação? Antes de saber quais as oportunidades que a indústria brasileira ainda tem, vamos entender um pouco melhor o contexto global.

Complexidade do mercado causa desindustrialização

A economia mundial vive um cenário de grande complexidade, a partir da interdependência entre diferentes mercados, com a produção de itens industriais em diferentes etapas, em dois ou três países. A Europa contribui para a desindustrialização em nações em desenvolvimento como o Brasil, ao instalar suas montadoras de veículos por aqui.

Neste segmento, marcas alemãs (Volkswagen, Mercedes-Benz e Audi), francesas (Citröen, Renault e Peugeot), suecas (Volvo e Scania) e italianas (a Fiat) têm forte presença no Brasil, mas, embora montados no país, muitos modelos são produzidos a partir de peças e equipamentos vindos de fora.

Na mesma lógica, tecnologias do Vale do Silício, nos Estados Unidos, chegam a China, Taiwan, Coréia, Indonésia, Cingapura e Malásia, onde são usadas em eletroeletrônicos, mais tarde exportados para o mundo todo – inclusive para os EUA.

O problema é que o Brasil não consegue se impor neste mercado complexo. Maior parcela das exportações refere-se a alimentos, minerais e commodities agrícolas, negociados com China, Alemanha e Holanda, que agregam valor aos produtos nacionais, vendendo-os até para o próprio Brasil e lucrando com o beneficiamento industrial.

Alimentos: opção tradicional e certeira para a indústria

Pela simples razão de que a humanidade precisa comer, a indústria e o comércio de alimentos foram historicamente áreas de negócios das mais procuradas por empreendedores. Mas, mesmo nesses segmentos, é preciso estar atento a algumas tendências para não ser devorado pela concorrência.

O estudo Brasil Food Trends 2020, por exemplo, indica o papel estratégico do segmento de ciência e tecnologia para garantir a competitividade da indústria de alimentos e bebidas. Conforme o trabalho, as tendências de “sensorialidade e prazer” que ditam o mercado atualmente exigem que a indústria eleve o padrão de qualidade de seus produtos, uma vez que os consumidores estão cada vez mais ávidos por itens de maior valor agregado (premium, gourmet etc.).

Tal exigência integra as demandas não só das classes altas, que buscam itens sofisticados e exclusivos, como também das classes médias emergentes, que querem maior qualidade nos alimentos consumidos, o que torna a missão de empreender nesta área mais delicada do que em outras épocas.

Mais do que nunca, pesquisar sobre os setores positivos para investimentos torna-se essencial em tempos de enorme concorrência interna e externa. Mas, por mais que concorrentes estrangeiros batam à nossa porta com produtos extremamente competitivos, é provável que não consigam igualar-se aos itens produzidos de acordo com as peculiaridades locais.

É nesse ponto que o empreender brasileiro pode focar-se na hora de investir em uma nova atividade industrial: observar e atender às expectativas do consumidor próximo, com os seus anseios e necessidades, pode ser o melhor caminho para diferenciar-se da concorrência e alcançar o sucesso na empreitada.

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