Como a alta do dólar impacta pequenas e médias empresas

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A elevação do dólar preocupa o empreendedor brasileiro. A cotação da moeda americana no Brasil fechou agosto em R$ 3,70, de acordo com o portal Investing – uma das principais fontes referentes ao mercado financeiro no mundo. No dia 3 de setembro, a moeda atingiu a casa dos R$ 3,77 para compra.  Mas como a alta do dólar impacta o mercado brasileiro e, especialmente, pequenas e médias empresas do país?

Impacto do dólar nas pequenas e médias empresas

De acordo com o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pelotas, Daniel Uhr, é preciso considerar como pequenas e médias empresas aquelas que ofertam serviços ou produtos sem poder de influência nos preços de mercado. O especialista explica que a variação na taxa de câmbio costuma ser um choque não previsto pelos gestores dessas firmas, o que acaba afetando significativamente a estrutura de custos da empresa.

“Dependendo do setor em que essa empresa está inserida, esse efeito pode ser positivo ou negativo”, explica Uhr. O choque, com o evento inesperado, apresenta um efeito direto principalmente se algum insumo de produção tem seu preço determinado pelo mercado internacional, normalmente vinculado ao dólar americano. “Assim, o aumento dessa moeda pode implicar em aumento dos custos de produção e, consequentemente, na perda de competitividade”, relata.

É preciso planejamento para lidar com a alta do dólar.
Gestores de pequenas e médias empresas devem se preparar para variações cambiais. Foto: iStock, Getty Images

Nesse cenário, a empresa repassa os custos para o consumidor, seja ele nacional ou estrangeiro. Se a empresa trabalha com importação, ela perde competitividade no mercado. Vale destacar, também, que a desvalorização abrupta do real frente ao dólar prejudica também quem trabalha com a gestão dos negócios, pois afeta os investimentos a longo prazo, além de criar incerteza e aumentar os riscos em relação a contratos mais longos.

Quem se beneficia com a alta do dólar

A principal vantagem é para quem trabalha com insumos nacionais, especialmente exportadoras – setores de bebidas e alimentos, por exemplo. Nesses casos, podem reduzir o preço do produto em dólar para aumentar as vendas no exterior, ou aumentar o preço no Brasil em decorrência do aumento ainda maior do preço dos produtos concorrentes importados.

O setor aéreo também é atingido diretamente pela alta do dólar frente à moeda brasileira. Isso porque todas as empresas acabam tendo aumento dos custos em dólar – o principal deles é o combustível. Diante disso, pequenas e médias companhias nacionais são as mais afetadas, pois vendem muitas passagens para voos domésticos.

Mas, se por um lado as pequenas e médias empresas sofrem mais do que as grandes em períodos de estagnação econômica, também são aquelas que possuem maior mobilidade para se adequar ao novo cenário e implantar as mudanças necessárias. “Sendo assim, as empresas devem aproveitar o momento econômico desfavorável para aplicar uma mudança estrutural dentro das firmas com foco no aumento de produtividade, atacando em duas frentes, nos custos e na receita”, finaliza o economista.  

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