Economia brasileira: conheça os indicadores econômicos que afetam o seu negócio

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Acompanhar os indicadores da economia brasileira é essencial para pequenas empresas. Com eles, o empresário tem mais informações para decidir qual é o melhor momento de ampliar o negócio, contratar mais funcionários e fazer investimentos.

Economia brasileira dá dicas para o empresário

Giácomo Balbinotto, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que os indicadores econômicos servem para que o empresário possa ter uma ideia de como está o presente e como será o futuro da economia brasileira. “É importante para ajudar o planejamento do empresário. Se eu sei que a renda está crescendo, eventualmente eu vou precisar ampliar o meu negócio. Se entra em recessão, vou ter que reduzi-lo”, diz.

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Pequenas empresas devem ficar atentas aos indicadores da economia brasileira. Foto: iStock, Getty Images

Balbinotto identifica três tipos de indicadores econômicos: antecedentes, coincidentes e defasados.

Antecedentes

Esses indicadores podem ser utilizados para “prever” o futuro da economia brasileira. “São indicadores do que está acontecendo hoje em alguns setores da economia e que vai levar a um crescimento da renda, do PIB e do consumo no futuro”, explica.

Balbinotto exemplifica: o consumo de aço, de cimento, areia e vidro indicam que a área da construção civil está aquecida e recebendo investimentos, o que provavelmente resultará em um crescimento da renda nos próximos meses.

Já o consumo de papel e papelão indica que a indústria está planejando aumentar a produção e, por isso, precisa desses materiais para empacotar suas mercadorias. “Eu produzi a televisão, agora eu vou embalar, mas não dá para esperar para embalar na hora, é preciso um estoque prévio”, explica.

Coincidentes

Os indicadores coincidentes são aqueles que mostram se os rumos da economia estão consolidados. Por exemplo, se o aumento do consumo é permanente ou não.

O PIB é um indicador coincidente. Assim como o consumo de energia. “Se o PIB está crescendo, o consumo de energia elétrica cresce. Quando a renda aumenta, a pessoa compra mais aparelhos elétricos. Quando a indústria está crescendo, ela passa a trabalhar em dois ou três turnos, o que exige mais energia elétrica”, esclarece.

Outros indicadores coincidentes são o nível de emprego, nível de renda, produção industrial, utilização da capacidade instalada, etc.

Defasados

São indicadores menos usados. Servem, por exemplo, para confirmar uma tendência passada. Por exemplo, se houve recessão ou não.

Câmbio, inflação e taxa de juros

Câmbio: Se a empresa atua com importação ou exportação, é importante prestar atenção na variação da taxa de câmbio, porque ela impacta preços de venda de produtos e custos de importação.

Selic: É a taxa de juros básica da economia brasileira, que baliza as demais taxas de juros. A elevação ou redução da Selic interfere no custo dos financiamentos e, consequentemente, no preço dos produtos. Por exemplo, se você faz uma compra a prazo, o custo dos juros deve ser repassado ao consumidor.

Inflação: Balbinotto explica que o pequeno empresário não deve se ater tanto à variação do IPCA-amplo, indicador básico de inflação, mas sim observar a variação de preços no setor em que está inserido. “Se trabalha com uma fruteira, fique atento ao índice de preços agrícolas. Na construção civil, tem o CUB (custo unitário básico), que mede os preços do setor”, conclui.