Entenda como lidar com os juros altos na sua empresa

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A crise financeira enfrentada pelo Brasil atinge vários setores da economia, e não faz restrições a consumidores ou empresários. Com a inflação fora de controle, manter os juros altos é uma estratégia de governo para frear o consumo. Mas até que ponto essa medida interfere no desempenho da sua empresa?

Para explicar como o aumento dos juros afeta a rotina do pequeno e médio empresário, conversamos com o assessor econômico da Fecomércio SP, Vitor França. Continue a leitura e descubra como agir para evitar os efeitos nocivos desse acréscimo para a saúde financeira da sua empresa.

As consequências dos juros altos para sua empresa

Conforme França, o pequeno empresário é afetado pelo aumento dos juros de duas maneiras principais:

Custo dos empréstimos

O aumento do custo do crédito torna os empréstimos mais caros. Segundo dados do Banco Central, refletindo a elevação da taxa básica de juros, as taxas médias cobradas das pessoas jurídicas (considerando apenas os recursos livres) subiram de 23,7% ao ano em abril de 2014 para 26,6% no mesmo mês de 2015.

juros altos
Crise financeira e alta nos juros implicam desafios para o empresário que pretende continuar crescendo. Foto: iStock, Getty Images

França destaca ainda que a taxa de juros média da modalidade capital de giro passou de 21,3% para 23,2% nesse mesmo período. No caso da antecipação de recebíveis de cartão de crédito, os juros subiram de 32,4% para 38,7% ao ano.

Com essas medidas, os custos das despesas financeiras crescem e os novos investimentos se tornam menos acessíveis aos empresários.

Consumo reduzido e inadimplência

Mas o empresário não é o único afetado pelos juros altos. Na verdade, as relações estão interligadas. “O crédito mais caro leva a um desaquecimento do consumo e, consequentemente, das vendas. Além disso, também favorece a inadimplência, o que afeta em especial o comércio”, esclarece França. Tudo isso contribuir negativamente para o resultado das empresas.

Juros altos exigem cautela diante de novos empréstimos

Nesse cenário de crise, talvez seja o momento de repensar investimentos e aguardar por melhores condições. É o que recomenda o assessor econômico da Fecomércio SP. “Diante de juros mais altos, é preciso cautela na tomada de novos empréstimos. Investimentos podem ser adiados para um momento em que o cenário econômico mostrar-se mais favorável”, avalia.

Agora, se não for possível adiar os empréstimos e os financiamentos, a dica é pesquisar de forma detalhada as taxas cobradas entre as diferentes instituições financeiras. Faça simulações, converse com o gerente do seu banco e negocie tanto quanto for possível.

Também é importante manter as contas sob controle, prevendo eventuais dificuldades. “Se o cenário ruim gerar dificuldade de pagar as parcelas dos financiamentos, recomenda-se que o empresário procure o banco para renegociar suas dívidas antes de ficar inadimplente”, orienta França.

Gestão eficiente é saída para contornar os altos juros

Com tantas dificuldades, o empresário deve priorizar a redução de custos e a eficiência da gestão financeira da empresa. Essa é a alternativa para continuar crescendo em meio à crise. “As margens mais apertadas tornam necessários a revisão de despesas e o aumento da eficiência operacional”, indica.

Essa redução de custos pode passar, inclusive, pelos contratos com os fornecedores. Pesquise o mercado e encontre alternativas para diminuir os gastos com insumos, requisitando descontos sem hesitar.

Futuro reserva incertezas

O especialista da Fecomércio faz um alerta: o cenário econômico não tem data para melhorar, mesmo com o ajuste fiscal promovido pelo governo. “Desequilíbrios fazem parte dos ciclos econômicos, é importante que se diga. Entretanto, ao contrário da crise de 2003, por exemplo, o cenário externo hoje é muito menos favorável para o Brasil, já que os preços das commodities estão relativamente baixos e há a expectativa de que os Estados Unidos voltem a subir a taxa de juros”, observa.

França também avalia explica que, internamente, a indústria está fragilizada, pois o boom da construção civil chegou ao fim e as famílias estão endividadas. “O quadro é agravado pela crise da Petrobras, que tem um peso bastante significativo na economia brasileira”, completa.

Para ele, o panorama seria mais favorável se o foco do ajuste fiscal fosse outro. “Quanto mais os ajustes se calcarem em cortes de despesas e não em aumento de arrecadação, mais rápida e vigorosamente a economia vai se recuperar, assim como o ânimo dos empresários do país”, conclui.

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