Gestão familiar: profissionalização é essencial para administrar negócio

Deixar um comentário

Você está pensando em abrir uma empresa em sociedade com familiares? Você não será o único, pelo contrário, empresas com gestão familiar são a maioria no Brasil e no mundo. Existem vantagens e desvantagens neste tipo de empreendimento e é preciso tomar cuidado para evitar erros comuns a eles.

De acordo com José Renato de Miranda, professor especialista em gestão familiar e diretor da Consultoria de Impacto – Gestão & Equipes, cerca de 85% das empresas brasileiras são familiares. Em alguns setores, como mercearias, gráficas, empresas prestadoras de serviço, chegariam a quase 100%. Algumas das maiores do Brasil se encaixam nesse perfil, como Itaú e Rede Globo.

gestão familiar
É recomendado a nunca esperar surgirem os primeiros problemas para buscar ajuda. Foto: iStock, Getty Images

Mas Miranda alerta que é essencial que estes negócios implantem mecanismos de gestão familiar ou que os parentes tenham conhecimentos sobre como atuar neste ambiente de negócio.

“Micro ou pequena empresa, num processo natural, começa com algum tipo de empreendedorismo entre familiares e, adiante, a profissionalização da gestão será um dos pontos vitais para a sustentação do negócio”, diz o consultor. “O elevado índice de falência empresarial (73% das empresas fundadas não passam do 4º ano) tem, entre os três principais motivos, conflitos familiares”.

Profissionalização é essencial

Segundo Miranda, o período certo para aprimorar a gestão familiar é quando empresa começa a ser bem-sucedida e enquanto o clima entre os parentes ainda está amigável. Ele aconselha a nunca esperar surgirem os primeiros problemas para buscar ajuda. “Negócios familiares são vulneráveis às emoções. Os conflitos fermentam quando menos se espera”, diz.

Miranda afirma que, por mais sólida que seja a empresa familiar, brigas entre os parentes podem fazê-la desmoronar rapidamente. “Assistimos a empresas com 10, 20, 50 anos que desabam em um ano”, afirma.

Ele ainda alerta que a profissionalização é essencial para empresas familiares que imaginam serem vendidas no futuro ou incorporarem um sócio externo. “Se algum investidor quiser comprar a empresa ou ser sócio, não fará uma aquisição dependente da competência e da permanência do fundador, individualmente”, explica.

Vantagens da gestão familiar

– Empenho coletivo: lucro e patrimônio ficam “em casa”

– História e nome da família ligados aos produtos e serviços viram referência, alavancam marketing e negócios, além do crescimento e segurança profissional dos familiares

– União e orgulho “um por todos, todos por um” para novos avanços e superação de crises

– Relações de confiança: decisões rápidas

– Agilidade para implantação sem burocracia.

Desvantagens da gestão familiar

– Mania de grandeza e excessos pessoais conforme sucesso do negócio

– Centralização e competições internas

– Retiradas sem respeitar balanço e reinvestimentos no negócio. Ideia de que empresa é vitalícia

– Proteção a funcionários(as) e contratação por critério pessoal

– Interferências da intimidade doméstica, das emoções e facilidade para quebra do profissionalismo.

Dicas para quem está começando

Confira quatro dicas de Miranda para quem está começando um empreendimento familiar:

1) Assim que possível, faça a descentralização com tempo e critério

2) Contrate um consultor especializado em gestão familiar

3) Prepare parentes da conscientização ao treinamento com especial atenção para admissões e, posteriormente, possíveis sucessores

4) Dê início à profissionalização através do Acordo Empresarial-Familiar.

Comentários

  1. Ju Guerra dice:

    A FGV tem um curso bem interessante em gestão de empresas familiares. Um conhecido meu fez e gostou muito.