Conheça os riscos da inflação alta para as empresas

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A forte elevação dos preços nos últimos anos já faz muitas pessoas sentirem medo do retorno do fantasma da inflação. Ainda que os números estejam bem distantes do verificado no passado, quem tem um negócio deve estar preparado para essa situação. Confira a seguir quais são os perigos da inflação alta e como lidar com isso.

Inflação em alta

Em 2014, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,41%, a maior desde 2011. Para 2015, o boletim Focus, do Banco Central, prevê aumento de 8,20%.

Roberto Yonezawa, consultor sênior da FBDE-NEXION Consulting, lembra que o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto dizia que, se a inflação passasse dos dois dígitos, seria muito difícil controlá-la. “Lamentavelmente, quando tivemos inflação acima de 10%, foi aquela coisa galopante”, diz.

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Ter um controle rígido de preços e da operação da empresa é essencial para lidar com uma inflação alta. Foto: iStock, Getty Images

A realidade atual ainda está bem distante dos 80% de inflação mensal do início dos anos 1990, mas empresários devem ficar atentos para se preparar para os possíveis efeitos de uma alta de preços descontrolada e tirar lições do passado.

Yonezawa afirma que os empresários tentavam se defender, ou ao menos minimizar as perdas, dolarizando preços e apostando em investimentos de curtíssimo prazo. “O mecanismo de proteção do empresariado eram as aplicações overnight – com rendimento de um dia para outro -, pois os preços subiam de maneira desenfreada, o que não é o caso do reinício da inflação, que vem de forma mais branda, mas crescente”, explica.

Perigos da inflação alta

Segundo Yonezawa, o grande perigo da inflação para o pequeno empresário é não conseguir acompanhar a alta dos preços de fornecedores e vender os seus produtos a um valor defasado. A inflação corrói o lucro.

Isso ocorre, por exemplo, quando o empresário compra uma matéria-prima ou um produto a R$ 10 e vende a R$ 15. Se a inflação eleva o preço do fornecedor para R$ 16, o seu lucro anterior vai ser insuficiente para arcar com a nova transação. “O empresário tem que ficar muito atento a esse movimento dos preços. Tanto na compra quanto na precificação de venda de seus produtos“, salienta Yonezawa.

Com a inflação, o empresário é obrigado a repassar a diferença para o consumidor. Mas Yonezawa salienta que o comerciante nem sempre pode fazer isso, porque acarretaria na diminuição de vendas e perda de clientes.

“A defesa para o pequeno negócio é bem frágil. Ele vai receber o aumento das matérias-primas de maneira imediata e vai repassar lentamente, porque a força de ambos no mercado é desigual”, diz.

Como se defender da inflação

O melhor remédio para minimizar os efeitos da inflação é o planejamento. Yonezawa explica que é essencial comprar bem e vender a um preço que garanta uma lucratividade projetada e suficiente para manter a operação longe do vermelho.

“Se ele perder o controle sobre isso, a empresa entra numa rota perigosa de geração de prejuízo e o descontrole é total”, afirma.

Ele afirma que o controle de preços passa por uma mudança no estilo de gestão para focar no acompanhamento total da execução da operação.