Doing Business: 5 insights sobre o relatório do Banco Mundial

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Atualizado anualmente para avaliar as regulações que 189 países impõem a pequenas e médias empresas, o Doing Business é a principal publicação do Banco Mundial. Os dados ajudam a entender o cenário empresarial em diferentes regiões e comparar economias para identificar os países onde empreender é mais fácil ou complicado.

“O projeto Doing Business analisa as regulamentações aplicadas a pequenas e médias empresas durante o seu ciclo de vida”, explica Laura Sagnori Diniz, analista de operações do Banco Mundial. “A base de dados e o relatório servem como ferramentas para medir o impacto das regulamentações sobre as atividades empresariais ao redor do mundo.”

Laura explica que a principal finalidade do relatório é incentivar os países a aprimorar os processos. “O Doing Business incentiva os países a alcançar uma regulamentação mais eficiente”, analisa. “Ele oferece padrões de referência sobre reformas regulatórias e serve como uma ferramenta para acadêmicos, jornalistas, membros do governo, empresários, pesquisadores do setor privado e outros interessados no ambiente de negócios de cada país.”

Doing Business analisa competitividade mundial
Relatório anual do Banco Mundial analisa dados de 189 países ao longo do tempo. Foto: iStock, Getty Images

Doing Business avalia facilidade para empreender

Os indicadores são utilizados para analisar resultados econômicos e identificar quais reformas de regulamentação funcionaram, esclarecendo os motivos para o sucesso ou o fracasso. A metodologia consiste em analisar 11 áreas que afetam a vida de uma empresa. São elas:

  • Abertura de empresas
  • Obtenção de alvarás de construção
  • Obtenção de eletricidade
  • Registro de propriedades
  • Obtenção de crédito
  • Proteção dos investidores minoritários
  • Pagamento de impostos
  • Comércio entre fronteiras
  • Execução de contratos
  • Resolução de insolvência
  • Regulação do mercado de trabalho

Ficou curioso para descobrir quais países da América Latina estão no topo e na base do ranking? Então continue a leitura e conheça alguns dos principais insights sobre a região.

A América Latina pelos olhos do Doing Business

Com a ajuda de Laura, selecionamos cinco insights do relatório do Banco Mundial sobre a realidade latino-americana. Confira:

1. Chile é o melhor país da América do Sul para pequenos empresários

Na classificação relativa à facilidade para fazer negócios, o Chile ocupa a primeira posição entre os países da América do Sul, com a 48ª colocação no ranking geral. O Peru vem logo em seguida, na 50ª posição, seguido pela Colômbia, em 54º lugar. O pior país sul-americano do ranking é a Venezuela, que está apenas três posições acima do último lugar, a Eritréia.

2. Colômbia é destaque em aprimorar regulações

Laura explica que as reformas estruturais promovidas pela Colômbia nos últimos anos favoreceram sua subida no ranking. “A Colômbia emergiu como o país da América Latina e Caribe que implementou o maior número de reformas na sua regulamentação de negócios desde o começo de Doing Business há 12 anos”, revela.

“O país reduziu de 70 a 11 o número de pagamentos necessários para declarar impostos e melhorou o acesso ao crédito, ampliando a gama de ativos que podem ser usados como garantia, por exemplo”, completa.

3. México favorece obtenção de crédito

O país mais ao norte da América Latina se destaca pela facilidade com que seus empresários obtém crédito. “O México é uma das cinco economias a nível global com o melhor ranking na área de obtenção de crédito, graças a uma agência de crédito que cobre toda a população e coleta todas as principais áreas de informação relevantes para avaliar a solvência creditícia dos emprestadores”, explica Laura.

4. Brasil tem potencial represado

Mesmo com a maior economia do continente, o Brasil apresenta debilidades quanto ao cenário empresarial, ocupando a 116ª posição no ranking geral. “O relatório indica que o Brasil ainda precisa avançar bastante para conseguir superar os desafios de tornar o ambiente de negócios no país mais simples e eficiente, além de superar os constantes avanços e reformas implementadas por outras economias, que também influenciam o ranking”, indica Laura.

“Áreas como pagamentos de impostos, abertura de negócios e obtenção de alvará de construção têm espaço para melhorias, principalmente no que diz respeito ao número de procedimentos e pagamentos que uma pequena empresa necessita completar para conseguir seu objetivo”, acrescenta.

5. Pagamento de impostos carece de melhorias no continente

Quando o relatório é analisado do ponto de vista do pagamento de impostos, a Venezuela e a Bolívia ocupam as duas últimas posições no ranking global. Esse é um indicativo de que o setor carece de melhorias em todo o continente.

“As áreas onde economias da América Latina e Caribe têm mais espaço para melhoria são registro de propriedade e pagamento de impostos”, aponta Laura. ”Nesta última área, por exemplo, o tempo médio que leva um empresário local para preparar, apresentar e pagar impostos é de 361 horas, em comparação com uma média de 177 horas nas economias de alta renda da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).”

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