Exportação em foco: como a alta do dólar afeta as empresas

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Influenciado por fatores internos e externos, o dólar atingiu, em março deste ano, o maior valor desde 1º de abril de 2003. Com a moeda americana batendo recordes, todos são afetados – dos grandes empresários aos pequenos consumidores. Para sobreviver à oscilação, a saída pode ser apostar na exportação, direcionando as vendas para o mercado externo: conheça alguns exemplos e descubra como lucrar com o dólar nas alturas.

Oscilação do dólar exige criatividade

Embora a valorização do dólar no Brasil tenha acompanhado a tendência mundial, tensões políticas também influenciaram na oscilação da moeda americana em relação ao real. Para entender esse fenômeno, é preciso analisar a questão de forma abrangente.

exportação
Oscilação da moeda americana exige adaptações no planejamento de pequenas e médias empresas. Foto: iStock, Getty Images

Além do ajuste fiscal, da desaceleração da economia – o PIB cresceu 0,1% em 2014 e a previsão para 2015 é de retração – e da inflação acima da meta do Governo Federal, o país passa por um impasse político, decorrente das investigações da Operação Lava Jato e das disputas partidárias em Brasília.

Assim, o comportamento dos consumidores e dos empresários é afetado. Para sobreviver a esse cenário, o empreender precisa recorrer à criatividade. É o que defende o economista Carlos Bittencourt, professor da PUC-PR.

“O empreendedor terá que usar da criatividade, agregando qualidade e diferencial no produto; já o consumidor será mais seletivo no controle do seu orçamento acomodando as novas despesas que vem de todos os lados”, afirma.

Alta do dólar favorece a exportação

De acordo com o professor, essa criatividade pode significar a opção por insumos domésticos na linha de produção, além da busca pelo mercado externo. A lógica é fácil de entender: com o real desvalorizado em relação ao dólar, comprar matéria-prima em reais para vender o produto em dólares significa um aumento da competitividade da empresa no mercado.

É nessa relação que se sustentam empresas como a Embraer e a Fibria, por exemplo. Com a venda de jatos executivos no exterior, a empresa brasileira de aeronaves viu o faturamento disparar, embora a demanda não tenha aumentado. Só em fevereiro, o valor das exportações da empresa saltou 151%, chegando a US$ 277 milhões.

Focada na produção de celulose, a matéria-prima do papel, a Fibria também tem motivos para sorrir neste início de ano. Por causa da exportação, a gigante brasileira criada em 2009 tem praticamente 100% de suas receitas em dólar, enquanto a maioria dos custos se dá em reais.

Os líderes de exportação no país são os insumos e as matérias-primas: minério de ferro, petróleo bruto, soja, açúcar, café e carne bovina estão entre os destaques nacionais.

Por que apostar na exportação

Não são apenas as grandes empresas que se beneficiam com a exportação de seus produtos. Se você é um micro ou pequeno empresário, também pode analisar o mercado para entender as possibilidades de atuação. Entre os motivos para isso, pode-se citar:

Aumento de produtividade: exportar implica aumento da escala de produção

Diminuição da carga tributária: a empresa pode compensar o recolhimento dos impostos internos

Menor dependência de vendas internas: cresce a segurança contra oscilações no consumo interno

Aumento da capacidade inovadora: programas de qualidade diferenciados e técnicas inovadoras de produção são comuns a empresas exportadoras

Condições favoráveis para obtenção de recursos: o Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e o Adiantamento sobre Cambiais de Exportação (ACE) possibilitam o recebimento da receita de exportação antes da produção

Melhoria da imagem da empresa: assumir a condição de “empresa exportadora” agrega valor à marca tanto no mercado interno como no externo.

Se você tem interesse pelo assunto, pode valer a pena consultar o manual de Exportação Passo a Passo, desenvolvido pelo Ministério das Relações Exteriores. E, para descobrir como calcular o valor do seu produto no exterior, considere recorrer ao Simulador de Preço de Exportação, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.