Gartner: As tecnologias promissoras e as supervalorizadas

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Conhecido por apontar e monitorar tendências de tecnologia em diferentes segmentos da economia, o instituto de pesquisa Gartner publicou uma análise conceitual do que chamam de “hype cycle“, o ciclo de “promoção” ou “jogada de marketing”, em uma tradução livre. A proposta é comparar o grau de expectativa (bem como excessos e exageros),  verificado na mídia e no comportamento de diferentes indústrias, com a perspectiva de outros indicadores mais, digamos, objetivos.

O press-release está no site da instituição desde 18 de agosto de 2015. O material apresenta um interessante gráfico comparando expectativas (eixo vertical) com a maturidade (eixo horizontal, dividido em “gatilho”, “pré-pico” e “pico de expectativas infladas”, “queda da desilusão”, “declive de clareza” e “produtividade”). Uma terceira marcação, o horizonte de tempo até se alcançar o patamar. Todas as variáveis foram definidas pelo próprio Gartner.

Confira o gráfico:

gráfico da Gartner que mostra estágio de expectativa e maturidade de cada tecnologia
Gráfico cruza expectativa com grau de maturidade de cada tecnologia apresentada como promissora. Legenda em inglês, conforme o original. Foto: Reprodução

Tecnologias como wearable tech (soluções embarcadas em relógios, roupas, óculos) e realidade aumentada estão na fase de queda da desilusão. Soluções controladas por gestos e impressão 3D, na etapa de produtividade.

O site VentureBeat, dedicado a tecnologia, destaca que quatro ondas tecnológicas que aparecem com status de supervalorizadas (over-hyped).

1. Veículos autônomos (promessa de carro sem motorista vai demorar mais do que se espera)
2. Advanced analytics com entregas self-service (big data sem analistas nem serviços não chega tão rapidamente ao patamar de qualidade das caras soluções atuais)
3. Internet das Coisas (soluções tecnológicas com acesso à Internet embarcadas em eletrodomésticos, veículos e qualquer outro objeto etc.)
4. Tradutores “speech-to-speech” (uma espécie de tradutor universal com “dublagem” em tempo real e ao vivo, como a demonstração feita pelo Skype)
5. Máquinas aprendendo (inteligência artificial evoluindo menos lentamente do que o imaginado).

Para quem gosta do tema, vale verificar os resultados anteriores desse mesmo tipo de estudo, de 2013 e 2014, por exemplo.

apple watch
Apple Watch, lançado em março de 2015, é exemplo de tecnologia wearable. Foto: Divulgação

A principal utilidade desse tipo de estudo, para uma pequena empresa ou uma startup, está na possibilidade de avaliar a priorização de determinadas tecnologias ou plataformas. A comparação entre as edições de cada ano do estudo mostra que há surpresas e mudanças de rota, com a evolução real de determinadas tecnologias nem sempre equivalendo ao esperado. Mas é útil como referência.

Mais sobre o estudo da Gartner: