Saiba quem ganha e quem perde com a valorização do dólar frente ao euro

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A recente desvalorização do Euro em comparação com o dólar é resultado de uma política econômica baseada na flutuação das taxas de câmbio. Entre os fatores que levam a esse comportamento estão a recente recuperação da economia americana, a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e a política do Banco Central Europeu para tentar impulsionar a economia local através de alterações cambiais.

No início de 2015, o banco americano Goldman Sachs divulgou projeção de que até 2017 as duas moedas se igualariam em valores. Com a queda vertiginosa do dólar, há quem aposte que a equivalência acontecerá antes do previsto. Segundo o portal RT, a última vez que o dólar e o euro se igualaram foi em 26 de janeiro de 2002.

Quem ganha e quem perde com a alta do dólar

De acordo com o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pelotas, do Brasil, Daniel Uhr, a recente situação de crise vivida pela Europa leva a uma valorização natural do dólar em comparação com o euro. Além disso, a própria recuperação da estabilidade econômica dos Estados Unidos, aliada à queda do preço dos commodities e elevação da taxa de juros do Banco Central Americano, são fatores que favorecem a alta da moeda americana.

De acordo com Uhr, a valorização da moeda é sentida em diversos países emergentes, como Brasil, Rússia, China e África do Sul. Ou seja, a alta do dólar não acontece em relação apenas ao euro, da qual se aproximou, mas de diversas moedas ao redor do mundo.

Mas quem ganha e quem perde com essa alta? De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, os maiores beneficiados são companhias de gás e petróleo. Isso ocorre porque, nesse setor, os custos operacionais e salariais são em euro, mas as receitas são em dólar.

Além disso, quem deseja viajar para a Europa deve aproveitar esse momento, que pode ser bom para agências de viagem e outras empresas vinculadas ao turismo. A indústria do aço, a automobilística e a de bens de consumo duráveis também ganham com essa nova configuração cambial.

Os efeitos negativos, no entanto, afetarão principalmente as companhias aéreas. Mesmo em função da queda dos preços do petróleo, o combustível das aeronaves é negociado em dólar. Qualquer companhia que não esteja em solo americano vai sentir a alta. Outros grandes prejudicados serão os bancos europeus, que terão de emprestar dinheiro a taxas recordes de baixa.

Euro em queda pode trazer bons resultados para a Europa

Além dos já citados, o euro enfraquecido torna as exportações mais atraentes para os países da zona do Euro, já que a moeda utilizada para transações comerciais internacionais é o dólar americano. As medidas fazem parte de uma série de atitudes do Banco Central Europeu para impulsionar a economia da região. A expectativa é que desvalorização da moeda local possa impulsionar o PIB em cerca de 0,5%.

De acordo com o Markit, serviço de informações financeiras, a atividade econômica se expandiu na zona do Euro recentemente. Desde abril de 2014 não se registravam índices semelhantes. Segundo nota oficial do grupo, Irlanda e Espanha lideraram o crescimento. Itália e Alemanha também tiveram números positivos.

Até pouco tempo atrás, alguns destes países enfrentavam séria crise econômica, com índices de desemprego muito altos. A expectativa, segundo o economista-chefe da Markit, em entrevista à CNBC, é de que o crescimento se mantenha nos próximos meses e, consequentemente, isso gere aumento da confiança empresarial.

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