Setor de importação sofre com alta do dólar

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No início do mês de março, a cotação da moeda norte-americana ultrapassou a barreira dos R$ 3,00. Atualmente, o dólar passa pela maior valorização frente ao real desde o ano de 2004, a última vez que a moeda superou a marca. Os mais afetados, além dos consumidores, são as empresas que trabalham com importação – seja de insumos ou de matéria-prima – ou aqueles que dependem das relações com o exterior.

Segundo o economista e coordenador do curso de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Carlos Magno Bittencourt, o impacto para o importador é bastante significativo, especialmente se for considerado o período de um ano. “Quando a cotação estava na casa de R$ 1,70, o gasto para importar era de US$ 1,7 milhão. Hoje, subiu para US$ 3 milhões. Imagine o impacto na estrutura de custos e orçamentos da empresa”, exemplifica.

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Alta do dólar favorece a balança comercial brasileira, mas pode trazer impactos negativos para o consumidor. Foto: iStock, Getty Images

Alta do dólar beneficia exportação

Se para o consumidor em geral e para a indústria de importação a cotação do dólar é um problema, a alta da moeda americana beneficia a indústria nacional. Com isso, o Brasil pode equilibrar a balança comercial, já que, com os produtos de fora mais caros, o consumidor tende a optar pelo que é produzido no mercado interno.

De acordo com Bittencourt, essa é a melhor dica para quem quer economizar. Segundo ele, embora tenha que se evitar ao máximo o repasse ao consumidor, em algum momento isso acaba acontecendo. Já para quem trabalha com importados e não quer perder vendas, o conselho é inovar. “O empreendedor terá que usar a criatividade, agregando qualidade e diferencial no produto”, avisa.

Turismo oscila com dólar em alta

Um dos setores atingidos pela alta do dólar é o turismo. Com a moeda atingindo índices mais altos na cotação, alguns ajustes são necessários para quem ainda quer viajar. No entanto, as agências de viagens não sentem uma diminuição significativa na procura por pacotes turísticos.

O agente de viagens da Portotravel Turismo, Tiago Vincenzi, afirma que o período instável exige que o setor trabalhe mais para adequar os valores de acordo com a necessidade dos clientes mas, quem quer, viaja independente destes fatores.

De acordo com o gerente financeiro da Socaltur Turismo, Adriano Kunz, um dos motivos que reduz o impacto da alta do dólar para as agências de viagens é o fato das parcelas fixas serem pagas previamente em reais.

No entanto, viagens para os Estados Unidos ainda sofrem o impacto. Segundo Vincenzi, não houve cancelamento de pacotes, mas grupos fechados diminuíram o número de pessoas. Kunz relata o mesmo. “Destinos que geralmente são mais econômicos, como Miami e o Caribe, têm maior reflexo negativo nesse momento”, destaca.