Os desafios do turismo na América Latina na era do comércio eletrônico

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Há muitos anos, o comércio eletrônico é sinônimo de turismo ou, ao menos, ambos estão estreitamente relacionados. Não há dúvidas de que um dos principais motores que movimenta o comércio eletrônico é justamente este setor. Por exemplo, há alguns meses, a Câmara Colombiana de Comércio Eletrônico publicou números de 2013 desta indústria, com um surpreendente US$ 8,2 bilhões, equivalente a 2,19% do PIB do país. Embora o estudo não mostre dados discriminados por setores, ele informa que o principal setor é o do turismo.

Foto: Creative Commons
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Um estudo de 2012 da revista América Economía sustenta também que o turismo é um grande fator de crescimento na região em comércio eletrônico. Apesar de parecerem boas notícias para o setor, o que se nota é que poucos players do mercado estão tirando proveito desta situação.

A realidade do comércio eletrônico no turismo regional

Do meu ponto de vista, o setor de turismo na Internet pode ser dividido em 4 tipos de players:
O primeiro é composto pelas grandes companhias aéreas (Avianca, LAN, Copa, etc.) e pelas grandes redes de hotéis regionais (Estelar, Dan, etc.) e internacionais (Holiday, Marriot, Best Western, etc.). O segundo player são os grandes sistemas de reserva, como Decolar e Booking.com.

Não encontrei números exatos sobre o volume de transações na região para estes primeiros grupos, mas não acharia nada estranho se o volume fosse superior a 75% do mercado, inclusive, em casos mais específicos, chegando a mais de 90% do mesmo.

O terceiro grupo são as empresas menores que vendem pacotes pela Internet, como LosTiquetesMásBaratos.com. Na quarta e última categoria aparecem os pequenos negócios de hotéis, operadores logísticos, restaurantes e outras ofertas de turismo local. Aqui estão, por exemplo, a grande parte dos hotéis boutique, hotéis fazenda, viagens de aventura, entre outros.

Embora seja certo que seguiremos vendo um crescimento grande nas vendas dos grupos 1 e 2, sem dúvida, o grande potencial está no quarto grupo. Como explicarei a seguir, é um grupo com limitações econômicas, que adotou esta ideia como uma desculpa para não fazer nada de grandioso na Internet.

Turismo na Internet e operadores de pequeno porte

No final do ano passado, eu tive a oportunidade de visitar Aruba (de férias) e a ilha colombiana de San Andrés (para dar uma palestra). Durante estas visitas, me chamou muito a atenção a importância que as empresas de turismo, de todos os tamanhos, dão para a plataforma TripAdvisor. Embora tenha notado isso com mais intensidade em Aruba, para mim é claro que esta plataforma é vital para atrair visitantes, especialmente do exterior.

Ter o TripAdvisor entre os elementos estratégicos é importante, mas acredito que a estratégia pode ser mais agressiva com outros meios complementares. Por exemplo, existem muitos hotéis pequenos, operadores de excursões, restaurantes, bares, discotecas e outros que não contam com uma página web básica. Talvez tenham uma conta no Facebook ou Twitter, além da presença no TripAdvisor. Alguns talvez vendam com desconto (ou presenteiam) seus quartos e pacotes em plataformas de cupons como Groupon. No entanto, tudo isso não é suficiente e é muito o que podemos fazer com uma página web própria que possa realizar transações de compra e venda online.

Atualmente criar uma página web de comércio eletrônico pode ser simples e econômico. Inclusive foi proposto aos empresários em San Andrés que se unissem para que juntos adquirissem uma plataforma que permitissem a eles comercializar diretamente seus quartos, planos, restaurantes, etc. Desta forma, se eliminam intermediários, é cobrado um valor competitivo mas justo, as receitas são obtidas de forma mais rápida e se fomenta o marketing e as vendas antes mesmo que os turistas saiam de suas casas. Este modelo tem sido usado há anos em outros países com grande sucesso.

A tecnologia do comércio eletrônico

O tema tecnologia é importante, mas não é o ponto de partida. O importante é que os empresários do turismo entendam que há uma necessidade do mercado e que muitos dos seus clientes preferem se informar e comprar pela Internet, em lugares confiáveis, inclusive diretamente nas páginas das empresas. Para que isto funcione, é essencial mudar o conceito que temos de Internet e começar a definir uma estratégia com objetivos.

Eu aposto nestes pequenos empresários, mas eles precisam começar a acreditar na Internet, com a ajuda de uma boa assessoria. O potencial deles é imenso e há pessoas em mercados como o norte-americano, europeu e australiano, entre outros, que vão querer buscá-los e encontrá-los na Internet para planejarem as suas próximas férias.