Atenção ao sotaque local é essencial para expansão para outros estados

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Você tem uma empresa local e deseja levar os seus produtos para outro estado e região do Brasil? Saiba que é essencial prestar muita atenção ao “sotaque” de cada local, as características regionais.

“O regionalismo é uma coisa que deve ser considerada dentro da cultura de toda a organização que pretende avançar em seus negócios para outras regiões e outros países”, diz Roberto Yonezawa, consultor sênior da FBDE-NEXION Consulting.

Não levar em conta características locais pode ser um impeditivo para o seu negócio. Um sabor que agrada os catarinenses pode não funcionar no Tocantins. Da mesma forma, um garoto-propaganda carioca pode dificultar a inserção de um produto no mercado paulista.

As características regionais de um mercado podem ser barreira de entrada para quem não se adapta. Foto: iStock, Getty Images

“O paulista não gosta do chiado carioca, e muitas vezes as emissoras colocam narradores e locutores que têm o chiado forte do Rio de Janeiro. Isso fica chato e cansativo para determinados públicos”, diz Yonezawa.

Por outro lado, ter um representante que fale o linguajar loca e respeitar o regionalismo de cada região pode alavancar as vendas.

Entenda o sotaque local

Yonezawa afirma que, antes de entrar em um mercado, é importante fazer um laboratório, que serve para adequar o produto às características da região em que a empresa deseja entrar e pode ser feito através de testes com habitantes locais.

Por exemplo, se estivermos falando de uma empresa do setor alimentício, o público de uma região pode preferir comidas apimentadas. Nesse caso, o empreendedor deve fazer uma adaptação do produto ou lançar nesse novo mercado apenas os produtos que agradarem ao paladar local.

“Baseado nessa pesquisa, se lança um produto respeitando as questões de regionalismo. Logicamente que, respeitando as questões de escala. Não faça um produto para cada estado, e sim um produto para cada região que tenha um consumo relevante”, diz Yonezawa.

O consultor explica que criar um produto especificamente para um novo mercado pode prejudicar a competividade da empresa, já que ela perde a vantagens de produzir um único produto em volume massivo. “Quando você faz essa diferenciação no produto, ele acaba ficando mais caro, porque você perde a condição de escala“, explica.

Nessa busca pela adaptação, é interessante considerar a possibilidade de uma campanha de marketing direcionada para o lançamento do produto no novo mercado, respeitando, claro, o sotaque local.

A barreira do sotaque

Em alguns casos, o sotaque é uma barreira quase intransponível, especialmente quando se trata de empresas de menor porte.

O consultor cita o exemplo de uma empresa paulista que tentou entrar no mercado de vinhos no Rio Grande do Sul. “É um mercado popular, mas dominado por negócios locais. A empresa paulista não se deu conta disso, teve a petulância de lançar esse produto e foi um fracasso total, por causa da falta de visão do empresário”, lembra.

Para não cair nesse tipo de armadilha, em que as barreiras de entrada podem inviabilizar o retorno do investimento, o empresário deve fazer uma boa pesquisa prévia, analisar corretamente o mercado e o seu potencial. “Para partir para outro mercado, é preciso olhar com muito critério para essas questões regionais”, finaliza Yonezawa.